Frete grátis em comprar acima de R$ 300,00
Carrinho (0) Fechar

Nenhum produto no carrinho.

Carrinho (0) Fechar

Nenhum produto no carrinho.

Home Traje Traje do gaúcho: para não fazer feio

Traje do gaúcho: para não fazer feio

Homem com traje Gaúcho montado a cavalo

A cultura gaúcha está espalhada por todo o Brasil e de modo algum se limita às plagas de um único estado. Em Rondônia, é comum ver famílias dos ditos pioneiros reunidas à volta de uma cuia aos fins de tarde; em São Paulo, as crianças têm aulas de rancheira, maçanico ou chimarrita como manda o Manual de Danças Gaúchas”; em Roraima, o CTG de Boa Vista é a maior associação civil do estado; em Floripa, 12% da população local é do Rio Grande do Sul.  

 

A verdade é que, mesmo com essa vocação migratória, os gaúchos são um povo que souberam como ninguém conservar e promover suas raízes e tradições. Nesse sentido, não há nada que se assemelhe em outros movimentos culturais brasileiros – basta pensarmos, por exemplo, que não existe um “Centro de Tradições Cariocas”.  

 

Esse apego às raízes revela-se desde as músicas e as danças até as vestimentas. Estas, por sua vez, refletem as necessidades, a cultura e o tipo de vida do povo gaúcho. Tanto assim é que os trajes tradicionais do Rio Grande são objeto de uma lei estadual, datada de janeiro de 1989, que oficializa como traje de honra e de uso preferencial nas terras rio-grandenses, para ambos os sexos, a indumentária denominada de “pilcha gaúcha” ou apenas “pilcha”. Será considerada digna desse nome somente aquela que, com autenticidade, reproduza com elegância, a sobriedade da indumentária histórica dos gaúchos, conforme os ditames do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Esse traje pode mesmo substituir o traje convencional em todos os atos oficiais, públicos ou privados, realizados no estado. 

 

No post de hoje prestamos uma homenagem à pilcha. Trazemos dicas imperdíveis para o pachola que não quer fazer feio e revisitamos as principais regras a serem respeitadas na escolha dos componentes dessa vestimenta. Continue a leitura e saiba mais! 

 

Primeiro, algumas dicas importantes 

Historicamente a indumentária gaúcha pode ser dividida em quatro fases: 

  • Chiripá primitivo (1730-1820) 
  • Braga (1730-1820) 
  • Chiripá farroupilha (1820-1865) 
  • Bombacha (1865 até dias atuais)  

 

Então, sabendo dessas fases, tenha cuidado com a chamada “mambiragem”. Ela acontece quando o pachola usa uma vestimenta desorientada temporalmente. Assim, um exemplo de mambiragem acontece quanto a parte de cima é de 1800 e a parte de baixo, de 1900; ou quando a bota é de 1800 e o pachola apresenta-se à moda de Braga, que não usava bota. A bombacha – outro exemplo – foi introduzida no Rio Grande somente em 1870; assim, se o gaúcho usa esse item, o resto do traje deve ser da mesma época. Por outras palavras, a pilcha deve ser coerente e coordenada. Para isso, é essencial saber o que se está vestindo e a história por detrás de cada peça. 

 

– Outras dicas muito importantes: é necessário pilchar-se conforme o bolso manda; pilchar-se conforme o clima manda; e pilchar-se conforme o ambiente ao qual se vai. O pachola deve vestir-se de acordo com as suas posses – se não pode adquirir peças tão caras, não é isso que irá tirar o brilho da pilcha. Arrumar-se conforme o clima é essencial. Em janeiro, no verão, não é necessário usar o paletó por cima do traje; no inverno, em julho, não use camisa curta. Do mesmo modo, é necessário ter atenção à adequação ao lugar onde se usa a pilcha. Por exemplo, uma pilcha campeira não deve ser usada em qualquer lugar. Para ir a um fandango ou ao CTG, prefira sempre a pilcha social.  

 

– Não dance de espora, nem mesmo usando como desculpa a ideia de que ela “faz barulho” e ajuda a alegrar na dança. Afinal de contas, a espora fica nos arreios depois do apeiro e não acompanha o pachola. 

 

Última dica: tire o chapéu dentro do CTG, principalmente na presença de prendas. 

 

Como deve ser a pilcha 

Basicamente, há três tipos de pilchas: a pilcha para atividades artísticas e sociais; a pilcha campeira; e a pilcha para a prática de esportes. 

 

Por ser a forma mais comum e importante, o nosso foco será a pilcha para atividades artísticas e sociais. Os itens dela são: bombacha, camisa, colete, bota, cinto, chapéu, paletó, lenço, faixa (opcional), pala (opcional) e faca (apenas para apresentações artísticas). 

 

A seguir, considerando as normativas do MTG, destacamos algumas das principais características a serem respeitadas ao escolher alguns dos itens mais importantes da pilcha. Vejamos: 

  

Bombacha

– As bombachas deverão estar sempre para dentro das botas. 

– Prefira as cores sóbrias ou neutras, como marrom, bege, cinza, azul-marinho, verde-escuro, branca. Fuja das cores agressivas, fosforescentes, contrastantes e cítricas, como vermelho, amarelo, laranja, verde-limão e cor-de-rosa. 

 – Os favos e enfeites de botões devem ser do tamanho daqueles utilizados nas camisas. Estão vedados os de metal. O uso desses itens depende da tradição regional.  

As bombachas podem ter, nos favos, letras, marcas e botões; os desenhos deverão ser idênticos em uma e outra pernas. 

 

Camisa 

– Evite o xadrez e os estampados. 

O tecido deve ser preferencialmente de algodão, tricoline, viscose, linho ou vigela, microfibra (não transparente) e Oxford. 

– Se usar um riscado, deve ser discreto.  

– A gola deve ser social, abotoada na frente, em toda a extensão, com punho ajustado com um ou mais botões. 

  

Botas 

– Devem ser de couro liso, nas cores preto, marrom (todos os tons) ou couro sem tingimento. Evite o branco. Bordados e palavras escritas também não são recomendáveis. 

Normalmente, o cano vai até o joelho. O solado deve ser de couro, podendo ter meia sola de borracha ou látex. A altura máxima deve ser de um centímetro. 

 

Cinto (ou guaiaca) 

– O material deve ser de couro, podendo ser na cor amarela. São admissíveis de uma a três guaiacas internas ou não. 

– As fivelas são apenas de uma ou duas frontais com, no mínimo, sete centímetros de largura. 

 – Evite o cinto com rastra – enfeite de metal com correntes na parte frontal 

 

Chapéu 

– As abas devem ser a partir de 6 cm. 

– A copa deve ser usada de acordo com as características regionais. 

– O barbicacho pode ser de couro ou crina, podendo ter algum enfeite de metal ou uma fivela para regulagem. 

– Não use boinas e bonés – apenas chapéu. A boina basca representa mais uma tradição da Argentina e, portanto, não é considerada parte da pilcha. 

 

Colete 

– Se usar paletó, o pachola poderá dispensar o colete. 

– O colete deve tradicional, sem mangas e sem gola, com uma única carreira de botões na frente, podendo ser usado abotoado ou não.  

– Atenção: o colete deve ser da mesma cor das bombachas, podendo ser tom sobre tom. 

– O tecido deve ter o mesmo padrão da bombacha. 

 

Lenço 

– As cores são vermelho, branco, azul, verde, amarelo, carijó, marrom e cinza. 

– No caso do uso com algum tipo de nó, a medida deve ser de 25 cm a partir desse adorno. Com o uso do passador de lenço, são 30 cm a partir dele. 

– Os passadores devem ser de metal, couro ou osso. 

 

Com essas dicas, garantimos: é impossível fazer feio! Por hoje é tudo, mas no próximo post será dedicado ao traje da prenda – você não pode perder! Então, não se esqueça: para acompanhar os todos conteúdos do nosso blog e não perder as novidades, é só assinar a nossa Newsletter agora mesmo. Siga também as nossas redes sociais – estamos no Facebook e no Instagram. 

  

Fontes e pesquisa: 

Maragato: A pilcha e seus significados. Acesso em: 19 mar. 2019 

Diretrizes para a pilcha gaúcha traje atual. Acesso em: 19 mar. 2019. 

 

Equipe Mateando 

Foto exclusiva de Fagner Almeida 

Post relacionado

preloader